segunda-feira, 6 de abril de 2015

Disciplina na Igreja III (Por: Valdeci da Silva Santos)


             III.                Implicações teológicas

Sem a intenção de limitar, mas tão somente de elucidar, oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica.

A. Disciplina e a Adoração Cristã

A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem, pela graça de Deus, é capaz."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4.10 e Ap 19.10), é uma marca da fé salvadora (Fp 3.3), e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20.7 e Mt 6.9). A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2.24). Assim, o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2.18-29).

B. Disciplina e as Marcas da Igreja

A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras, quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino, tais marcas consistem da proclamação da Palavra, da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica. Segundo ele, "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados; a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós."(15) Nesse sentido, "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano, ou como a disciplina em família."(16)
Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito" (Ef 5.27), a disciplina eclesiástica é altamente relevante, pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.1-3), mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo.

C. Disciplina e Evangelismo

A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador, ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. Sem a visão dessa seriedade, a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo.
Uma igreja sem disciplina torna-se um empecilho para o avanço do evangelho. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5.12-13. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. Assim, ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. 6.1-23). Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida, ou rejeitada, pelos seus próprios membros. Como diz Barnes, "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo."(17)

Conclusão

Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano."(18) Nenhum profissional médico, porém, se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. Também, nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas.

Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. Primeiro, que a disciplina na igreja não é uma opção, mas sim uma ordenança e, consequentemente, uma bênção divina (Hb 12.5-7). Segundo, que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2.5-11).

domingo, 5 de abril de 2015

Disciplina na Igreja II (Por: Valdeci da Silva Santos)


II.                O Ensino Bíblico

A. A Necessidade da Disciplina

Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12.4-13). É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade, mas as Escrituras mostram que a disciplina de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3.19). Além do mais, disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. 12.7-9), e quando os cristãos recebem disciplina divina, o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. Deus não disciplina bastardos, ou seja, filhos ilegítimos (v. 8). O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v. 10)." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina, a mesma produz paz e retidão (v. 11). O v. 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador, mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual.
O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1.3, 8), "corrigir" (Pv 22.15 e 23.13) ou "castigar" (Is 53.5). No Novo Testamento, o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12.1-10 e Ap 3.19). Nesse sentido, disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50.17; Pv 1.1-2 e 15.32). A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19.18 e 4.13). A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13.24).
Segundo as Escrituras, a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso, mas principalmente nos imperativos do Senhor. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5.1-13). Também, há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5.25-27) e sem poder (Js 7.11-12a). A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2.20-24).

B. Os Passos da Disciplina

Biblicamente, a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18.15; 1 Co 5.5 e Gl 6.1); 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5.6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5.20). É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.15-17.

1. Abordagem individual
O v. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só...) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27.5-6). Mas é sempre arriscado confrontar alguém, pois nunca se pode prever a reação do mesmo. Jesus, todavia, dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. Além do mais, o termo grego e)/legcon ("arguir, instruir, confrontar," v. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz, expor."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo, em convencê-los (confrontá-los) "do pecado, da justiça, e do juízo." Assim, antes de confrontar um irmão, podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz.

2. Admoestação privada
No caso de o ofensor não atender à confrontação individual, Jesus ordena que haja admoestação privada (v. 16). Nesse caso, um número maior de pessoas é envolvido. A princípio, pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. Uma atenção maior, porém, leva-nos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Em outras palavras, nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. Além do mais, Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35.30, Dt 17.6 e 19.15). Com isto, a objetividade do caso é preservada, o que diminui as chances de injustiça, e o ofensor é beneficiado.

3. Pronunciamento público (v. 17)
Tal proceder nunca é violação de segredos, pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador, evitar comentários desnecessários (2 Ts 3.14-15) e vigiar a si próprio (1 Co 10.12). Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.27).(11)

4. Exclusão pública
O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex, "fora," e communicare, "comunicar"), na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Nesse caso, o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19.2-10). Com estes não há mais comunhão cristã, pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5.11). Se o seu pecado é heresia, ou seja, o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras, eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11).
É claro que cada um desses passos envolve dor, tempo, amor e transparência. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor, ou seja, a recusa ao arrependimento. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18.19-20). Assim, a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente, mas algo a ser conduzido na presença do Senhor."(12)


sábado, 4 de abril de 2015

Disciplina na Igreja I (Por: Valdeci da Silva Santos)


Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja, qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico.
A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana." Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens? Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.
Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina?
O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico da disciplina.

I.                   Errando o alvo

A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos. O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a mal-entendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos:
1) os que aplicam a disciplina, e
2) os que sofrem a aplicação da mesma.
Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica.

A. Disciplina e Despotismo.

Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal. Isso não foi disciplina, mas despotismo.
A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo. Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11).

B. Disciplina e Discriminação

A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos:
1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e
2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina.
Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11).
Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a disciplina (1 Co 5.5 e 1 Tm 1.20).

C. Disciplina e Arbitrariedade

"Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. Ou seja, é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. "Aliás," alguns argumentariam, "não somos todos pecadores?"
Primeiramente, é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida, mas há algumas que requerem correção pública. Por exemplo, em Mateus 18.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5.1-13, Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja, e na Primeira Carta a Timóteo 1.20, na Segunda Carta a Timóteo 2.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho.
Por outro lado, na Carta aos Romanos 16.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e, ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3.6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes, e muitos deles haviam continuado por um período de tempo."
Com relação à autoridade, é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica, mas daquele que a ordenou, ou seja, o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1.22-23). Além do mais, a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10.29). Também, "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6.15). Nenhum direito nos é dado, mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10.12).
Concluindo, somente a ignorância, equívocos, ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Os Cinco Pilares Fundamentais da Igreja Segundo o Coração de Deus!


No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da Catedral em Wittenberg 95 teses contra as os erros da igreja romana. Lutero estabeleceu cinco pontos de fé como base para a Igreja, conhecidos como cinco ‘Solas’.
Quando foi pedido que Lutero se retratasse, ele disse: “A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência.
Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus me ajude. Amém”.



Quais são as bases de uma Igreja Verdadeira?

Baseado na Reforma Protestante¹ e nos cinco fundamentos:

1. SOMENTE A BÍBLIA: 
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17).
A Bíblia estava esquecida, chegando a ser proibida sua leitura pelo povo que só ouvia alguns trechos na missa em latim, de maneira que não compreendessem. Lutero gastou anos de sua vida traduzindo a Bíblia para a língua de seu povo, reuniu recursos possíveis e publicou a Bíblia para todos lerem.
A Bíblia na mão é marca do cristão protestante. A leitura bíblica é o centro do culto de uma Igreja verdadeira. Não existe outra verdade acima da Bíblia. Ela é a Palavra de Deus! A única regra de fé e prática para a vida cristã é a Sagrada Escritura.
Sua Igreja tem a Bíblia como única regra de fé e prática?
Somente a Bíblia é a Palavra de Deus!

2. SOMENTE CRISTO: 
“Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (1 Timóteo 2.5).
No tempo de Lutero havia muitos santos e imagens na Igreja e o povo acreditava que para cada coisa devia pedir a um santo especial. De tantos personagens que havia na Igreja que a pessoa de Jesus Cristo ficava de lado e quase nada se sabia a seu respeito.
Por isso Martinho Lutero protestou por uma Igreja cristocêntrica. Jesus é o centro da Igreja. Foi Cristo quem morreu para dar vida e levantar uma Igreja. Somente Jesus é o nome que salva todos que o invocam (Atos 4.12). A Igreja deve orar somente ao Pai em Nome de Jesus (João 14.1314).
Um cristão verdadeiro acredita que somente Jesus salva e somente Ele é digno de receber nosso louvor e ouvir nossas orações. Não podemos confiar em homens, pois “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!”(Jeremias 17.5). Nem mesmo um pastor poderoso ou cantor gospel famoso tem o poder que só Jesus tem ou merece a honra que só Ele merece. Por isso a Igreja Verdadeira deve estar firmada em Jesus e não em homens.
Você e sua Igreja confiam somente em Jesus para Salvação?
Somente Jesus pode salvar e ouvir sua oração!

3. SOMENTE A GRAÇA: 
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9).
As indulgências eram cobranças que a igreja fazia como forma das pessoas pagarem por seus pecados. Lutero se revoltou contra isso ao ver o luxo das igrejas romanas e a pobreza do povo que juntava trocados para pagar em dinheiro pelo perdão de seus pecados e ainda tinham que cumprir penitências acreditando que por suas obras seriam salvos.
Quando Lutero leu na Bíblia que Jesus com seu sangue apagou todos os nossos pecados e por sua graça somente nos perdoava sem necessidade algumas de obras, ele não aceitou e rasgou a bula papal que determinava o perdão para quem pagasse uma indulgência vendendo a salvação para quem tivesse o dinheiro para tirar um parente morto do purgatório.
As obras não podem salvar ninguém. Boas obras são conseqüência de nossa salvação (Efésios 2.10), pois como servos de Deus somos capacitados pelo Espírito Santo a exercer misericórdia, revelando o Amor de Deus ao próximo.
Um cristão verdadeiro depende da Graça de Deus para tudo (II Coríntios 12.7). Uma Igreja verdadeira proclama o perdão dos pecados gratuitamente por Jesus Cristo sem necessidade de pagar ou cumprir rituais com Jesus ordenou“de graça recebestes, de graça dai”(Mateus 10.8).
Sua Igreja proclama a Graça de Deus em tudo o que faz ou cobra pela bênção?
Somente a Graça de Deus pode perdoar pecados!

4. SOMENTE A FÉ: 
“O justo viverá pela fé” (Romanos 1.17).
Num tempo em que as relíquias e objetos santos eram venerados, carregados em procissões e as multidões caminhavam em romaria em busca de uma experiência religiosa através de um contato com um lugar ou objeto sagrado, Lutero pregou que nada disso era necessário.
A Bíblia define a Fé como “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hebreus 11.1) e que“sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11.6). Baseado nisso Lutero determinou que não deveria reverenciar objetos visíveis e nem fazer uma grande caminhada para agradar a Deus. A fé é invisível (II Coríntios 5.7). Somente pela fé podemos receber a resposta a nossas orações.
Um cristão de verdade vive pela fé, não pelo que é palpável e visível aos olhos humanos.  A Igreja verdadeira ensina a exercer a fé sem necessidade de amuletos ou obras. No século XXI em meio ao capitalismo é muito comum as pessoas se apegarem a coisas e lugares. Por isso é um desafio pregar uma vê no que ninguém vê, mas“Bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20.29).
Você e sua Igreja vivem esta fé ou procuram coisas para acreditar?
Somente pela Fé recebemos a Salvação e somos abençoados!

5. SOMENTE A DEUS TODA GLÓRIA: 
“Eu sou o SENHOR; este é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor” (Isaías 42.8).
Muitos idólatras dizem que não estão adorando as imagens e que estas são apenas para lembrar a história da pessoa e suas obras. Engano! Como então conversam, cantam e fazem pedidos para a imagem? Essa é uma forma de adoração.
Lutero não aceitou as centenas de imagens na igreja e os cultos prestados a pessoas que já haviam morrido. A Palavra de Deus declara que somente a Deus pertence a Glória, honra e louvor (Apocalipse 5.12). Jesus é o único digno de receber toda adoração!
Jesus disse que um cristão verdadeiro presta toda glória somente a Deus e não recebe louvor pelos seus feitos (João5.44). Uma Igreja verdadeira não louva a homens, mas somente a Deus. O meio gospel precisa urgentemente se livrar do estrelismo que tem enriquecido cantores e iludido o povo de Deus com a dependência de um personagem famoso ou canções novas para adorar a Deus.
Você sua Igreja têm adorado ao Senhor ou presta admiração para homens?
A Deus somente toda a Glória!

Como reconhecer uma igreja verdadeira?

“Mas ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!” (Gálatas 1.8).
A Igreja ficou muito tempo distanciada da verdade e custou muito para ser restaurada. Hoje existem muitos tipos de igrejas e religiões ao ponto de confundir a cabeça das pessoas. Precisamos de discernimento para entender o que é certo e o que é errado. Por isso o apóstolo Paulo deixou bem claro quem nem mesmo uma manifestação sobrenatural como o aparecimento de um anjo com outro tipo de pregação diferente do evangelho, não deve ser aceita como verdade.

Baseados nestes cinco princípios enumerados por Martinho Lutero podem saber se uma igreja ou cristão é verdadeiro. Também podemos refletir sobre a necessidade de uma nova reforma na Igreja Evangélica e retornar às nossas origens como uma Igreja Verdadeiramente Cristã.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O que é a Igreja?


A igreja é a comunidade de todos os cristãos de todos os tempos. Essa definição compreende que a igreja é feita de todos os verdadeiramente salvos. Paulo afirma: “Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela” (Ef 5.25). Aqui o termo “a igreja” é usado para referir-se a todos aqueles pelos quais Cristo morreu para redimir, todos os salvos pela morte de Cristo. O plano de Deus para a igreja é tão grande que ele exaltou Cristo a uma posição de suprema autoridade por amor à igreja: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1.22-23).
Em sua realidade verdadeiramente espiritual como a comunidade de todos os cristãos genuínos, a igreja é invisível. Isso se dá porque não podemos ver a condição espiritual do coração de ninguém. Podemos ver os que frequentam a igreja e perceber sinais externos de uma mudança espiritual interior, mas não podemos de fato ver o coração das pessoas nem enxergar o estado espiritual em que se encontram – algo que só Deus pode fazer. Foi por isso que Paulo afirmou: “O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2Tm 2.19). Mesmo em nossas igrejas e em nossa vizinhança só Deus sabe, com toda a certeza e sem errar, quem são os verdadeiros cristãos. Falando da igreja como invisível, o autor de Hebreus fala da “assembleia (literalmente, “igreja”) dos primogênitos arrolados no céu” (Hb 12.23) e diz que os cristãos do presente unem-se àquela assembleia em adoração.
No Novo Testamento a palavra “igreja” pode ser aplicada a um grupo de cristãos de qualquer tamanho, desde um pequeno grupo que se reúne sempre em uma residência até o grupo de todos os cristãos na igreja universal. A igreja numa casa é chamada “igreja” em Romanos 16.5 (“saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles”) e 1Coríntios 16.19 (“No Senhor, muito vos saúdam Áqüila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles”.) A igreja de uma cidade inteira é também chamada “igreja” (1Co 1.2; 2Co 1.1 e 1Ts 1.1). A igreja de determinada região é chamada “igreja” em Atos 9.31: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria.”

Finalmente, a igreja do mundo inteiro pode ser chamada “a igreja”. Paulo afirma: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25)”, e diz: “A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres...” (1Co 12.28). Nesse último versículo, a menção de “apóstolos”, os quais não foram dados a nenhuma igreja em particular, garante que a referência seja à igreja universal. Para ajudar-nos a entender a natureza da igreja, as Escrituras usam uma ampla variedade de metáforas e imagens que descrevem a igreja. Há diversas imagens de família: por exemplo, Paulo vê a igreja como uma família quando diz a Timóteo que agisse como se todos os membros da igreja fossem membros de uma família maior: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza” (1Tm 5.1-2). Deus é o nosso pai celestial (Ef 3.14), e nós somos seus filhos e suas filhas, pois Deus nos diz: “Serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2Co 6.18). Somos, portanto, irmãos e irmãs uns dos outros na família de Deus (Mt 12.49-50; 1Jo 3.14-18). Uma metáfora de família um pouco diferente é vista quando Paulo refere-se à igreja como a noiva de Cristo. Ele diz que o relacionamento entre marido e mulher “refere-se a Cristo e à igreja” (Ef 5.32) e afirma que traz à tona o noivado entre Cristo e a igreja de Corinto e que isso se assemelha a um noivado entre uma noiva e seu futuro marido: “Visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (2Co 11.2) – aqui Paulo está olhando para a época da volta de Cristo como a ocasião quando a igreja será apresentada a ele como noiva.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O QUE CREEM OS BATISTAS REGULARES?



1.    Em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29.
2.    Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão, 2 Tm 3.14-17.
3.    No nascimento virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e sua ascensão vitoriosa aos céus, Is 7.14; Rm 8.34; At 1.9.
4.    Na pecaminosidade do homem que o destituiu da glória de Deus, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que o pode restaurar a comunhão com Deus, Rm 3.23; At 3.19.
5.    Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do reino dos céus, Jo 3.3-8.
6.    No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor, At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26; Hb 7.25; 5.9.
7.    No batismo bíblico efetuado por imersão do corpo inteiro uma só vez em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo, Mt 28.19; Rm 6.1-6; Cl 2.12.
8.    Na necessidade e na possibilidade que temos de viver em santidade mediante a obra expiatória e redentora de Jesus no Calvário, através do poder regenerador, inspirador e santificador do Espírito Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas do poder de Cristo, Hb 9.14; 1 Pd 1.15.
9.    No batismo bíblico com o Espírito Santo que nos é dado por Deus no momento da conversão efetuada por Deus no coração do que crê mediante a intercessão de Cristo, sem a evidência inicial de falar em outras línguas, conforme a sua vontade, I Co. 12:12-13; Ef. 1:13-14; Rm. 8:12-17; Gl. 3:1-14
10. Na segunda vinda pré-mileniar de Cristo, em duas fases distintas. Primeira - invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja fiel da terra, antes da grande tribulação; segunda - visível e corporal, com sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos, 1 Ts 4.16,17; 1 Co 15.51-54; Ap 20,4; Zc 14-5; Jd 14.
a.    Que todos os cristãos comparecerão ante ao tribunal de Cristo, para receber a recompensa dos seus feitos em favor da causa de Cristo na terra, 2 Co 5.10.
b.    No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis, Ap 20.11-15.

c.    E na vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tristeza e tormento para os infiéis, Mt 25.46.

terça-feira, 31 de março de 2015

NEOPENTECOSTALISMO (por Marcos Mendes Granconato)



AS SEIS PRINCIPAIS FALTAS DO EVANGÉLICO NEOPENTECOSTAL

O que distingue o “evangélico” moderno do crente verdadeiro?
O que é, ou como é, o evangélico neopentecostal?

1.    Falta de senso crítico. 

O neopentecostal dá crédito fácil à mentira. Ele aceita com facilidade qualquer invenção que aparece sem questionar nada, bastando apenas que o líder diga tudo com ares de autoridade e com alguns “aleluias”. (At 17.11; Ef 4.14-15)

2.    Falta de disposição para aceitar a correção. 

É inútil mostrar biblicamente ao neopentecostal que ele está errado. Ele dirá que a Bíblia pode ser interpretada das mais variadas maneiras e desprezará todas as evidências da Palavra de Deus que militem contra suas crendices (2 Tm 3.8; 4.3-4)

3.    Falta de interesse no estudo bíblico sério e profundo. 

O neopentecostal é um grande ignorante da Palavra de Deus. Ele não vê o estudo teológico como algo importante. Geralmente ele diz que estudar a Bíblia ou a teologia é uma prática carnal. Para fundamentar essa crença, é usado 2 Coríntios 3.6 (entendem que a frase “a letra mata” é uma censura de Paulo contra o estudo!!!). O que existe na verdade é uma imensa preguiça intelectual e uma falta absoluta de interesse pelo que Deus ensina em sua Palavra. Assim, não há ênfase na pregação e no estudo sério das Escrituras no meio neopentecostal. A ênfase maior é no louvor, nas supostas curas, nas expulsões de demônios, nos cultos de libertação e coisas do tipo.(1 Co 1.21; 1 Tm 3.15; 2 Tm 2.15)

4.    Falta de história de conversão. 

Os neopentecostais não têm uma história de conversão (1 Co 6.9-11; 1 Ts 1.9-10). Se forem questionados sobre como ou quando se converteram, dirão geralmente que foram numa determinada comunidade e ali viram curas ou alguma outra coisa que os impressionou; dirão que o pastor adivinhou algo sobre a vida deles ou que os problemas que tinham começaram a desaparecer, levando-os a se firmar na igreja. Nada dizem sobre arrependimento pessoal, confissão de pecados, perdão, novo nascimento ou outras coisas próprias da conversão. Talvez o maior problema do neopentecostal é o fato dele não ser um crente verdadeiro (2 Co 13.5;).

5.    Falta de vida cristã exemplar. 

O neopentecostal tem um testemunho de vida moral horrível. Ele não se preocupa com a santidade, o viver separado do mundo ou o imitar Cristo. Aliás, é exatamente o contrário disso que é estimulado, sob a justificativa de que igualar-se ao mundo vai atrair os descrentes para a igreja (é por isso que os cultos neo-pentecostais são mais parecidos com shows. Veja Hb 12.28-29). Essa falta de preocupação com o viver cristão é substituída pela preocupação com o bem estar físico e financeiro e com a busca de experiências místicas, fortes emoções e entretenimento (veja Tg 4.9-10) como espetáculos musicais, shows e passeatas. (2 Co 6.14-15; Tg 4.4; 1 Jo 2.3-6)

6.    Falta de compromisso com a igreja local. 

As reuniões neopentecostais são marcadas por um constante vai-e-vem de centenas e até milhares de pessoas. A cada dia o auditório muda. Não há membresia. A maior parte dos frequentadores não se conhece devido à grande rotatividade de gente que entra e sai. O pastor não tem um rebanho em que ele conhece cada uma das ovelhas, acompanha-as, disciplina-as quando necessário e se sente responsável por elas. Isso faz com que as igrejas neopentecostais se tornem o paraíso daqueles “crentes” que não dão certo em igreja nenhuma e que não querem ter compromisso com nada. (Hb 10.25; 1Jo 1.7).
 Anexo
O VALOR DO NEOPENTECOSTALISMO

Como Deus tem usado o movimento neopentecostal para atingir seus propósitos? 

1.    A criação de uma forte insatisfação nos convertidos verdadeiros. 

Como as igrejas neopentecostais não oferecem nada que realmente dê vigor espiritual, os verdadeiros convertidos dentro dessas igrejas, depois de algum tempo, começam a se sentir famintos de algo mais sólido e verdadeiro. Essa fome geralmente é acompanhada de comparações entre o que a Bíblia diz e o que os líderes falam, o que geralmente faz com que esses crentes comecem a ser desprezados e perseguidos. Diante disso tudo, tais pessoas se vêem forçadas a sair em busca de uma igreja séria.(Jo 10.2-5)

2.    A oportunidade de purificação das igrejas genuínas. 

As igrejas neopentecostais têm oferecido tudo aquilo de que os falsos crentes gostam (paz com o mundo, superstições, promessas de prosperidade, falta de compromisso). Isso atrai para elas todo o “joio” que há nas igrejas bíblicas. Desse modo, tirando proveito das astúcias de Satanás, Deus tem trabalhado na edificação de uma igreja mais livre de lobos fantasiados de ovelha. (1 Jo 2.19).
INDICAÇÕES DE LEITURAS:
 

segunda-feira, 30 de março de 2015

A Segunda Volta de Cristo!



  1. Haverá uma volta súbita, pessoal, visível e corpórea de Jesus Cristo


Ele mesmo falou muitas vezes de sua volta. “Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Mt 24.44). Ele disse: “... quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14.3). Imediatamente depois de Jesus ascender ao céu, dois anjos disseram aos discípulos: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (At 1.11). Paulo ensinou: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus” (1Ts 4.16). O autor de Hebreus escreveu que Cristo “aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hb 9.28). Tiago escreveu: “... a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5.8). Pedro disse: “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor” (2Pe 3.10). João escreveu: “... quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo 3.2). E o livro de Apocalipse traz freqüentes referências à volta de Cristo, terminando com a promessa de Jesus: “Certamente, venho sem demora”, e a resposta de João: “Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).

2.      Devemos ansiar pela volta de Cristo

A resposta de João no final de Apocalipse deve caracterizar o coração dos cristãos em todas as épocas: “Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20). O verdadeiro cristianismo nos treina a viver “no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.12-13). Paulo diz: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). De modo semelhante, o termo “maranata” em 1Coríntios 16.22 (ara, arc) significa “vem, nosso Senhor” (blh).

3.      Não sabemos quando Cristo voltará

Algumas passagens indicam que não sabemos, e não podemos saber, quando Cristo voltará. “À hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Mt 24.44). “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25.13). Além disso, Jesus disse: “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo” (Mc 13.32-33).
A conseqüência prática disso é que se deve considerar errado, de imediato, quem diz saber especificamente quando virá Jesus. Os testemunhas-de-jeová têm feito muitas predições de datas específicas da volta de Cristo, e todas elas provaram-se enganadas. Mas outros na história da igreja também fizeram tais predições, às vezes alegando novo entendimento de profecias bíblicas e às vezes alegando ter recebido revelações pessoais do próprio Jesus, indicando o momento de seu retorno.

4.      Todos nós concordamos quanto às consequências definitivas da volta de Cristo

Não importam as discórdias quanto aos detalhes, todos os cristãos que têm a Bíblia por autoridade final concordam que a consequência definitiva e última da volta de Cristo será o julgamento dos incrédulos e a recompensa final dos que crêem e que os que creem viverão com Cristo, por toda a eternidade, num novo céu e numa nova terra. Deus Pai, Filho e Espírito Santo reinará e será cultuado num reino eterno em que já não haverá pecado, dor ou sofrimento.

Que sinais precedem a Volta de Cristo?

A outra série de textos a considerar trata de alguns sinais que as Escrituras dizem preceder a hora da volta de Cristo. De fato, Berkhof  diz: “De acordo com as Escrituras alguns fatos importantes devem ocorrer antes da volta do Senhor e, assim, não se pode considerá-la iminente”.
Aqui vale alistar as passagens que fazem referência mais direta aos sinais que devem ocorrer antes da volta de Cristo.

1.      A pregação do evangelho a todas as nações. É necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações (Mc 13.10; cf. Mt 24.14).

2.      Falsos profetas realizando sinais e maravilhas
Surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos (Mc 13.22; cf. 24.23-24).

3.      Sinais no céu. Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória (Mc 13.24-26; cf. Mt 24.29-30; Lc 21.25-27).

4.      A vinda do homem da iniquidade e a rebelião. Paulo escreve aos tessalonicenses que Cristo não virá, a menos que o homem da iniquidade seja antes revelado, e depois o Senhor Jesus, em sua vinda, o destruirá. Esse “homem da iniquidade” é às vezes identificado com a besta em Apocalipse 13 e às vezes chamado anticristo, o último e pior da série de “anticristos” mencionados em 1João 2.18.

5.      A salvação de Israel. Paulo fala do fato de que muitos judeus não creram em Cristo, mas diz que em algum ponto do futuro um número maior será salvo: (Rm 11.12), (Rm 11.25-26).



domingo, 29 de março de 2015

A REGENERAÇÃO OU NOVO NASCIMENTO - ARTHUR W. PINK



Duas coisas são absolutamente essenciais para a salvação: a libertação da culpa e da penalidade do pecado e a libertação do poder e da presença do pecado. A primeira é assegurada pela obra mediadora de Cristo, a outra é realizada pelas operações eficazes do Espírito Santo. A primeira é o bendito resultado do que o Senhor Jesus fez para o povo de Deus, a outra é a gloriosa conseqüência do que o Espírito Santo faz no povo de Deus. A primeira acontece quando, tendo sido trazido ao pó como um mendigo de mãos vazias, a fé é capacitada a se apegar a Cristo; Deus então o justifica de todas as coisas e o pecador tremendo, penitente, mas crendo, recebe um completo e gratuito perdão. A outra acontece gradualmente, em distintos estágios debaixo da divina benção da regeneração, santificação e glorificação.

Na regeneração, o pecado recebe seu golpe mortal, ainda que não seja sua morte. Na santificação, à alma regenerada é mostrada a fossa de corrupção que habita dentro dele, e ela é ensinada a desprezar e odiar a si mesma. Na glorificação, tanto a alma como o corpo são libertos para sempre de todo vestígio e efeito do pecado.

A regeneração é indispensavelmente necessária para que uma alma possa entrar no Céu. Para poder amar as coisas espirituais um homem deve ser feito espiritual. O homem natural pode ouvir sobre elas, e ter uma idéia correta da doutrina delas, mas ele não pode amá-las (2 Tessalonicenses 2:10), nem encontrar seu gozo nelas. Ninguém pode morar com Deus e estar feliz eternamente em Sua presença até que uma mudança radical tenha sido operada nele, uma mudança do pecado para a santidade; e essa mudança deve acontecer aqui mesmo na terra.

Como pode alguém entrar no mundo da santidade inefável depois de ter gastado toda a sua vida no pecado, isto é, agradando a si mesmo? Como pode cantar o cântico do Cordeiro se o seu coração não está sintonizado nEle? Como pode suportar o contemplar a grande majestade de Deus face a face sem nem sequer havê-Lo visto "como por espelho em enigma" com o olho da fé? Assim como é uma tortura excruciante para os olhos contemplar repentinamente os raios brilhantes do sol do meio-dia após estar confinado por muito tempo numa escuridão lúgubre, assim também será quando os inconversos contemplarem Àquele que é Luz. Em vez de receber com prazer tal visão, "todas as tribos da terra se lamentarão por causa dEle" (Apocalipse 1:7); sim, tão devastadora será sua angústia que clamarão às montanhas e às rochas, "Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro" (Apocalipse 6:16). Sim, meu querido leitor, esta será tua experiência a menos que Deus te regenere.

O que acontece na regeneração é o contrário do que aconteceu na queda. A pessoa que nasce de novo é restaurada a uma união e comunhão com Deus através de Cristo e da operação do Espírito Santo: o que antes estava morto espiritualmente, agora está espiritualmente vivo(João 5:24). Da mesma forma que a morte espiritual foi produzida pela entrada de um princípio de maldade no ser do homem, assim também a vida espiritual é a introdução de um princípio de santidade. Deus comunica um novo princípio, tão real e tão potente como o é o pecado. A graça divina é agora impartida. Uma santa disposição é infundida na alma. Um novo temperamento de espírito é concedido ao homem interior. Porém, não são criadas novas faculdades dentro dele; ao contrário, suas faculdades originais são enriquecidas, enobrecidas e capacitadas.

Uma pessoa regenerada é "uma nova criatura em Cristo Jesus" (2 Coríntios 5:17). Isso é verdade sobre você? Que cada um de nós prove e examine a si mesmo na presença de Deus sobre essas questões. Como está meu coração em relação ao pecado? Existe uma profunda humilhação e uma tristeza piedosa após eu pecar? Existe um ódio genuíno contra o pecado? Tenho uma consciência sensível, de forma que minha paz é disturbada por aquilo que o mundo chama "falhas triviais" ou "pequenas coisas"? Sinto-me humilhado quando estou consciente dos surgimentos de orgulho e obstinação? Aborreço minhas corrupções internas? Estão meus desejos mortos para o mundo e vivos para com Deus? Qual é minha meditação nos tempos de recreação? Os exercícios espirituais me dão prazer e alegria, ou são tediosos e como cargas pesadas? Podes verdadeiramente dizer, "Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais doces do que o mel à minha boca" (Salmos 119:103)? É a comunhão com Deus meu gozo maior? É a glória de Deus mais preciosa para mim do que tudo o que o mundo contém?

sábado, 28 de março de 2015

Mais sobre a Justificação (6)


G. Base da Justificação.


Um dos pontos mais importantes da controvérsia entre a igreja de Roma e os Reformadores, e entre a teologia reformada (calvinista) e os arminianos, tem que ver com a base da justificação. Com respeito a isto, os Reformadores ensinavam:


1. Negativamente, que esta não pode achar-se nalguma virtude do homem, nem em suas boas obras. Deve-se também sustentar esta posição na atualidade contra Roma e contra as tendências pelagianizantes de várias igrejas. Roma ensina que o pecador é justificado com base na justiça inerente que foi infundida em seu coração e que, por sua vez, é fruto da cooperação à chamada primeira justificação; em toda justificação subseqüente, as boas obras do homem entram em consideração como a causa ou base formal da justificação. Contudo, é impossível que a justiça inerente infusa no regenerado e suas obras constituam a base da sua justificação, pois:
(a) esta justiça é e continua sendo durante a sua vida inteira uma justiça muito imperfeita; 
(b) ela própria já é fruto da justiça de Cristo e da graça de Deus; e 
(c) até mesmo as melhores obras praticadas pelos crentes estão contaminadas pelo pecado. Ademais, a Escritura nos ensina com muita clareza que o homem é justificado gratuitamente pela graça de Deus, Rm 3.24, e que não tem nenhuma possibilidade de ser justificado pelas obras da lei, Rm 3.28; Gl 2.16; 3.11.
2. Positivamente, que a base da justificação só se pode achar a justiça perfeita de Jesus Cristo, justiça imputada ao pecador a justificação. Isto é ensinado claramente em diversas passagens da Escritura, tais como Rm 3.24; 5.9, 19; 1 Co 1.30; 6.11; 2 Co 5.21; Fp 3.9. Na obediência passiva de Cristo, que se fez maldição por nós (Gl 3.13), vemos a base para o perdão dos pecados; e em sua obediência ativa, pela qual Ele mereceu todos os dons da graça, incluindo a vida eterna, veremos a base para a adoção de filhos, pela qual os pecadores são constituídos herdeiros da vida eterna. O arminiano vai contra a Escritura quando afirma que somos aceitos pelo favor de Deus somente com base em nossa fé ou em nossa obediência evangélica.

H. Objeções à Doutrina da Justificação.

A teologia “liberal”, com suas tendências racionalizantes, faz várias objeções à doutrina da justificação como tal, as quais merecem breve consideração.

1. Alguns, que ainda crêem na salvação pela graça, opõem-se ostensivamente à justificação no interesse do reconhecimento da graça de Deus. A justificação, dizem, é uma transação legal e, nesta qualidade, exclui a graça, enquanto que a Bíblia ensina claramente que o pecador é salvo pela graça. Facilmente se pode demonstrar, porém, que a justificação, com todos os seus antecedentes e conseqüentes, é obra da graça de Deus. O substituto concedido em lugar dos pecadores culpados, os sofrimentos e a obediência vicários de Cristo, a imputação da Sua justiça a transgressores indignos, e o fato de Deus tratar os crentes como justos – do começo ao fim, tudo é graça de Deus.
2. Às vezes a justificação é tida como um procedimento ímpio, porque declara, contrariamente aos fatos, que os pecadores são justos. Mas esta objeção não pega, porque a declaração divina não é no sentido de que estes pecadores são justos em si mesmos, mas que são revestidos da justiça perfeita de Jesus Cristo. Esta justiça acionada por Cristo é-lhes imputada gratuitamente. Mas não é a justiça subjetiva e pessoal de Cristo, e, sim, a Sua justiça vicária e pactual, que é imputada a pessoas que em si mesmas são injustas, e tudo para a glória de Deus.
3. Muitas vezes se diz que esta doutrina é eticamente subversiva, porque leva à licenciosidade. Mas não há verdade nisso, de modo nenhum, como as vidas dos próprios justificados mostram claramente. Na justificação, lançam-se os firmes alicerces de daquela união vital e espiritual com Cristo que assegura a nossa santificação. Ela realmente conduz às únicas condições nas quais podemos ser verdadeiramente santos, em princípio. O homem que é justificado recebe também o espírito da santificação, e é o único tipo de homem que pode transbordar de boas obras que glorificam a Deus.

I. Conceitos Divergentes de Justificação.

1. O CONCEITO CATÓLICO ROMANO. 
O conceito católico romano se confunde coma a santificação. Inclui os seguintes elementos na justificação: 
(a) a expulsão do pecado que há no homem; 
(b) a infusão positiva da graça divina; e 
(c) o perdão dos pecados. 

O pecador é preparado para a justificação pela graça preveniente, sem quaisquer méritos de sua parte. Esta graça preveniente leva o pecador a uma fides informis, à convicção de pecado, ao arrependimento, a uma segura confiança na graça de Deus em Cristo, aos princípios da nova vida, e ao desejo de ser batizado. Realmente, a justificação consiste na infusão de novas virtudes, depois de efetuada a remoção da corrupção do pecado no batismo. Depois da expulsão do pecado que nele há, segue-se necessariamente o perdão do pecado ou a remoção da culpa do pecado. E conforma o cristão avança de virtude em virtude, é capacitado a realizar obras meritórias e recebe como recompensa uma porção maior da graça e uma justificação perfeita. Pode-se perder a graça da justificação, mas também ela pode ser restaurada pelo sacramento da penitência.

2. O CONCEITO DE PISCATOR. 
Piscator ensinava que somente a obediência passiva de Cristo é imputada ao pecador na justificação, para o perdão dos pecados; e que a Sua obediência ativa não tem nenhuma possibilidade de lhe ser imputada, para a adoção de filhos e para uma herança eterna, porque o homem Cristo devia isto a Deus em Seu próprio benefício. Ademais, se Cristo tivesse cumprido a lei por nós, não poderíamos mais ser responsabilizados pela observância da lei. Piscator considerava a sujeição à penalidade e a guarda da lei como alternativas, uma excluindo a outra. Ele deixou aberta a porta para a consideração da obediência pessoal do pecador como único fundamento da sua esperança futura. Este conceito é muito semelhante ao dos arminianos, e segue de perto a linha da doutrina de Anselmo, na Idade Média.

3. O CONCEITO DE OSIANDER. 
Osiander revelou a tendência de reviver na Igreja Luterana os pontos essenciais da concepção católica romana da justificação, embora com uma diferença característica. Ele afirmava que a justificação não consiste da imputação da justiça vicária de Cristo ao pecador, mas sim, da implantação de um novo princípio de vida. Segundo ele, a justiça pela qual somos justificados é a justiça eterna de Deus o Pai, em nós infundida por Seu Filho Jesus Cristo.

4. O CONCEITO ARMINIANO. 
Os arminianos afirmam que Cristo não prestou estrita satisfação à justiça de Deus, mas, todavia, ofereceu uma real propiciação pelo pecado, propiciação que foi graciosamente aceita como satisfatória por Deus e por Ele posta como base para o perdão do pecado e, assim, para a justificação do pecador. Embora isto só sirva para zerar contas passadas, Deus também faz provisão para o futuro. De maneira igualmente graciosa, Ele imputa ao crente a sua fé, para justiça, a fé que inclui toda a vida religiosa do crente – sua obediência evangélica. Neste conceito, a fé não é mais o simples instrumento do elemento positivo da justificação, mas a base graciosamente admitida sobre a qual aquela repousa. Neste caso, a justificação não é um ato judicial, mas, sim um ato soberano de Deus.

5. O CONCEITO BARTIANO. 
Apesar de Barth falar da justificação como um ato instantâneo, todavia não a considera como um ato realizado uma vez por todas, seguido então pela santificação. Segundo ele, a justificação e a santificação vão de mãos dadas o tempo todo. Diz Pauck que, segundo Barth, a justificação não é um crescimento ou um desenvolvimento ético; ela sempre ocorre de novo, toda vez que homem chega ao ponto do completo desespero quanto às crenças e aos valores sobre os quais edificou a sua vida. Thurneysen também rejeita a idéia de que a justificação se dá uma vez por todas, qualifica-a de pietismo e afirma que ela é fatal para a doutrina da Reforma.